O nome de registro dele é Valdecir. Mas hoje tem um sobrenome do qual se orgulha muito e gosta de ser conhecido como Valdecir do Coco.

Valdecir tem 56 anos, 4 filhos, 5 netos e 2 bisnetos (um deles a caminho). Com o coco construiu 3 casas, criou os filhos e é a maior simpatia. Todos os dias ele faz ponto próximo ao Museu de Arte Contemporânea – MAC e faz toda a diferença, parar no seu quiosque, ser tratado como alguém especial e ser presenteado com seu bom humor, sempre nos recebendo com  um sorriso largo no rosto e muito muito amor e orgulho do que faz e construiu na vida.

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Beber água de coco lá, ganha outra dimensão! Para que a gente se sinta especial e em casa ele não poupa esforços: álcool em gel, guardanapo de papel,  lixeiras para lixo coletivo e até da água geladinha dos Pets ele se lembrou.

Para quem quiser ele colocou Banana de graça na compra da água, (mesmo que não compre nada e quiser comer a Banana ele dá pra você), quando teve essa ideia viu que a Banana estava muito cara, então fez um acordo com um Hortifrutti da região que faz as bananas para ele a preço de custo.

Já foi matéria em jornais como O GLOBO, O FLUMINENSE, caderno de turismo, folha de Niterói e muitos outros, e guarda cada uma delas com muito orgulho. Quem quiser ver sua história, é só pedir pela pasta dessas matérias que ele guarda no quiosque, que ele vai adorar te mostrar.

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Em nossa conversa, ele me disse que estava inconformado com a quantidade de coco que joga fora todos os dias e já tem planos para fazer artesanato com a fibra e a casca do coco para atender aos turistas que frequentam o quiosque do mundo todo.

É um empreendedor nato!

Pedi ao Valdecir que me contasse um pouquinho da sua história e de como ele chegou até aqui, com esse sucesso todo! E ele me contou tudinho com muito orgulho. Olhos brilhando! Foi muito bom de ouvir.

Ele começou a trabalhar aos 18 anos como segurança em lojas, mas conta que depois de perder 4 amigos assassinados pela violência, resolveu mudar o rumo da sua vida. Então, tentou trabalhar como porteiro em prédios, mas como ele mesmo diz, o salário não dava pra chegar ao fim do mês e como tinha planos de formar uma família, ficava pensando em não ter mais chefe e empreender.

Tinha um sonho de ter seu próprio negócio e há mais de 20 anos, pegou um isopor, colocou uns cocos dentro e se estabeleceu na ponte que dá acesso a ilha da igrejinha que fica no gragoatá. O negócio deu certo e ele chagava a vender 500 cocos por dia nos fins de semana.

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Seu fornecedor de coco passou então a ficar de olho nele e fornecia à credito mais cocos do que ele vendia, e ele foi ficando endividado com ele, a tal ponto que perdeu seu ponto para este fornecedor em troca do pagamento. Valdecir conta: “Eu era muito novo e ingenuo, e achava que ele fazia isso pra me ajudar.”

Mas, ele tinha algo grande dentro dele, e não se deixou abater. Na época da construção do Museu, viu a oportunidade e montou outro ponto de coco no lugar de seu quiosque hoje, bem pertinho do museu.

Foram muitos os obstáculos para ter seu negócio licenciado pela prefeitura, e depois de muito material apreendido , chegou a ser proibido de vender naquele local. Mas como estava há muito tempo lá e era muito conhecido, a vizinhança começou a ligar na prefeitura pedindo que o deixassem trabalhar e ele é muito agradecido ao atual prefeito que finalmente concedeu sua licença.

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Ele é tão antenado e tem o marketing nas veias, mesmo sem saber o que isto significa, que aprendeu frases  básicas em inglês com uma professora para atender a clientela, e frases como : How are you? What’s your name? Where are you come from? são usadas por ele com frequência. Alem disso ainda procurou saber a nacionalidade dos turistas que frequentam o quiosque e colocou suas bandeirinhas com frases na língua deles, no banner de boas vindas que enfeitam seu quiosque.

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Mais de 20 anos se passaram e ele se orgulha do que ele conseguiu construir com a água de coco. Quando nos despedimos, Valdecir me agradeceu pela oportunidade de contar sua história para inspirar pessoas que assim como ele, um dia , se sentiram num beco sem saída, sem dinheiro e sem muito estudo pra vencer na vida.

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Disse a ele que eu é que tinha muito que agradecer, por ter a oportunidade de poder compartilhar uma história de vida tão linda e inspiradora!

Valeu Valdecir foi uma honra te conhecer!!

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